quarta-feira, 10 de abril de 2013



Alô pessoal! Após a grande odisseia platina, estou voltando para Bagé / Pedras Brancas. Espero que tenham gostado do que aqui foi publicado. Nos falamos na fronteira!

sábado, 16 de março de 2013

Futebol celeste


 Assim como no Brasil, aqui no Uruguai futebol é coisa séria. Movimenta multidões, movimenta paixões e, obviamente, também movimenta muito dinheiro.

A história do futebol uruguaio é de larga data e com momentos emblemáticos. Peñarol e Nacional, os dois grandes clubes, foram ambos fundados ainda no século XIX - 1891 e 1899, respectivamente.
 A seleção nacional do Uruguai foi a primeira campeã mundial, em campeonato realizado no próprio país em 1930. Antes disso já havia ganho outros torneios, como as olimpíadas de 1924 em Paris e de 1928 em Amsterdã. Somando à vitória no Brasil em 1950, alguns uruguaios mais entusiasmados se dizem tetra campeões mundiais...


Aliás, por aqui o 'Maracanazo' de 1950 é um tema a parte. Assim ficou conhecida a vitoria contra a seleção brasileira na final do campeonato mundial em pleno estádio Maracanã. Seria a primeira copa para o Brasil...seria no maior estádio do mundo, recém construído para ser palco dessa façanha...seria na presença de mais de 100 mil brasileiros...seria...


Nada se compara a decepção dos brasileiros. Nada se compara a alegria (e por que não dizer, surpresa...) dos uruguaios.

Os pés de Alcides Ghiggia, autor do segundo gol uruguaio (a partida terminou  2X1) estão imortalizadas no parque Batlle, que fica ao lado do estádio Centenário. Na placa se pode ler:  "Alcides E. Ghiggia - 16 de julio 1950 - el gol mas importante de la historia del fútbol mundial".



terça-feira, 5 de março de 2013

O passado sempre presente


Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013, Plaza Libertad, Montevidéu, 18h.

Diversas bandeiras se levantam numa manifestação popular contra as últimas ações da Suprema Corte de Justica uruguaia.

Tema: desaparecimentos, assassinatos e torturas cometidos por agentes do Estado durante o período ditatorial (1973-1985).

Ocorre que na última semana o órgão superior do poder judiciário declarou inconstitucionais dois artígos da lei interpretativa da Lei de Caducidade.

Explico: em 1986 foi aprovado no Uruguai uma lei que ficou conhecida como Lei da Caducidade (similar a lei do 'Punto Final' argentina ou Lei da Anistia brasileira). Sob pretexto de facilitar a redemocratização do país, tornava 'caducos' ou prescritos os crimes de violação dos direitos humanos cometidos no período anterior.
Em 1988 a Suprema Corte confirmou a validade da Lei de Caducidade. Porém em 2009 declarou sua inconstitucionalidade. Nesse vai-e-vem jurídico e político foi possível julgar e condenar diversos criminosos, inclusive ocupantes de altos cargos no governo, como dois presidentes da república.




No mesmo momento que 'reviveu' a Lei de Caducidade, a Suprema Corte uruguaia transferiu a juiza Mariana Mota, responsável por 50 casos de atentados contra os direitos humanos. Com o novo pronunciamento do judiciário, esses casos podem ser encerrados. Segundo os manifestantes, transferência suspeita e não explicada...

Os manifestantes que estiveram em frente ao prédio da justiça defendem a ideia de que os crimes cometidos contra a população não são crimes comuns, são de lesa humanidade e não prescrevem nunca. O que está em jogo nesse momento se refere às próprias bases da sociedade: o direito à memória, à verdade e à justiça.




Vai um link com um pronunciamento de importantes intelectuais uruguaios - entre eles Eduardo Galeano:

http://diariolarepublica.net/intelectuales-exigen-el-fin-de-la-impunidad/



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Montevidéu - cidade murada

Foto: Jorge Tabarez

Forte de Santa Tecla nos 'Cerros de Bagé'
Assim como Bagé, Montevidéu tem sua origem ligada ao tema militar: a primeira surge como acampamento para as forças lusitanas que partiriam para atacar o exército artiguista na Banda Oriental do Rio da Prata (hoje Uruguai) em 1811; a segunda fundada em 1726 como local estratégico para defender os interesses comerciais do império espanhol.

Na primeira imagem desse 'post' se pode ver a 'cidade murada' que se transformou Montevidéu no período colonial. Curioso comparar o desenho com o do Forte de Santa Tecla, construído no mesmo período. Ambos mantém a mesma ideia arquitetônica. Não por acaso, ambos tiveram por base a mesma tradição ibérica de construção de fortificações.

Abaixo uma foto de 1910 da praça onde se situa o antigo prédio do Cabildo, que servia como sede do poder municipal na América espanhola.Notem o ambiente sofisticado dos cidadãos aproveitando o dia. A triste exceção são os três guris sentados no meio-fio, abaixo à direita: descalços apesar do frio e com jornais nas mãos, revelam o desamparo infantil e o triste abismo social que grassa em nosso continente.
Foto: Jorge Tabarez

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Murgas



As murgas são patrimônio cultural imaterial do Uruguay. Algo muito típico, atrativo e intenso. Suas apresentações misturam canto, expressão corporal e uma cuidadosa preocupação cênica com fantasias e o conjunto do cenário. Chama a atenção a capacidade vocal de seus integrantes, assim como o arranjo de vozes. As letras sempre bem elaboradas, misturam ironia, sarcasmo e trocadilhos. Situações cotidianas, comportamento e questões políticas são seus principais temas. Uma crítica social bem humorada e criativa.





As imagens apresentadas são da murga "Cero Bola". Como o próprio nome deixa subentendido, é uma murga formada só por mulheres. Algo raro ou talvez único em Montevidéu. Perguntei a alguns uruguaios porque as mulheres não participam das murgas. Ninguém soube me explicar. Aqui as murgas fazem parte do carnaval. Para nós, brasileiros, é impensável um carnaval sem mulheres... Nesse sentido parece que a "Cero Bola" se insere num espaço masculino restrito e mostram que as mulheres também são boas murguistas. Me diverti muito com sua apresentação.





A seguir alguns momentos da apresentação da murga "Cero Bola" na Rambla do bairro Pocitos. Questões técnicas e, principalmente, imperícia do operador do equipamento impediram uma melhor qualidade do material. Resolvi colocar assim mesmo para que possam ver o grupo atuando.




Há uma grande oferta de material sobre murgas na internet. Deixo aqui alguns links com imagens e textos. É só buscar que se encontra muitos outros sites.






sábado, 16 de fevereiro de 2013

Carretas montevideanas


Desde que os animais de grande porte foram introduzidos na América pelos conquistadores europeus, as carretas vão se constituindo em uma excelente solução para o transporte de pessoas, mercadorias, artefatos militares e tudo o mais que se puder imaginar.

Fiz questão de ir até o Partque J. Batlle y Ordóñez onde se encontra essa escultura e tirar algumas fotos porque esse tema se tornou parte da trajetória do grupo que hoje se intitula "Narradores de Bagé". Em 2011, antes mesmo desse nome ter surgido, os professores Lisandro e Ariel encaminharam a produção de seu grupo do Projeto Integrador com essa temática. No meio do ano cheguei ao IFSul em substituição ao Ariel. Seguimos a pesquisa e o resultado final se apresentou em formato de blog. Para quem quiser dar uma olhada o endereço é: http://pracadascarretas.blogspot.com/

Fica aqui o registro e a certeza de que tudo o que envolve a utilização das carretas forma uma cultura comum que nos une aos nossos vizinhos uruguaios. Isso prova que a fronteira pode ser vista como elo de aproximação muito mais do que como linha divisória. Prefiro entender as coisas por esse ângulo!



domingo, 10 de fevereiro de 2013

Feiras

 As feiras aqui em Montevidéu estão por todo lado e em todos os dias da semana. Aqui as pessoas realmente cultivam o hábito de ir à feira - e a feira de 'ir até as pessoas'... Em qualquer bairro é possível encontrá-las. Além de sua presença constante, o que se vê de mais característico é sua imensa variedade de produtos oferecidos. Em Bagé quando se fala em ir à feira, logo se pensa em comprar legumes, verduras e frutas.
 Em Montevidéu também se pode comprar hortifruti-granjeiros (onde ponho esse hífen,  se é que tem...?) nas feiras. Porém aqui se vai muito além! Nas imagens apresentadas o leitor mais curioso poderá  encontrar artigos os mais exóticos. Todos ofertados no chão e, certamente, com a expectativa de serem vendidos - por mais inúteis que possam nos parecer. Da última vez que estive aqui encontrei uma dentadura exposta para a venda.
Tentei encontrá-la novamente para fotografar e postar nesse blog. Não achei... Minha hipótese é que se encontra confortavelmente ajustada  a alguma boca e favorecendo enormemente o consumo de um apetitoso assado!
Essas imagens publicadas são da feira de Tristán Narvaja. Localizada na área central da cidade, é a mais tradicional e conhecida de todas. Todos os domingos ocupa diversas quadras, que são interditadas ao trânsito para que se instale. Dizem que serviu de modelo para o nosso 'Brique da Redenção', em Porto Alegre.
Por fim,  três destacados momentos capturados:

--> um insólito anúncio publicitário ouvido em uma feira da periferia: "Televisão pela metade do preço! Compre antes que o dono apareça!". 'Broma' ou não, fica o registro folclórico. [Essa última parte contou com a brilhante participação do amigo uruguaio Jorge Tabarez]

--> pitoresca estratégia de marketing: "Anda, comprem. A tenda está aberta para isso! Depois não reclamem que não vim".

--> marketing em verso: "Estoy aquí
                                    Daquí no me voy
                                    Mañana no vengo
                                    Mañana no estoy."