sábado, 16 de março de 2013

Futebol celeste


 Assim como no Brasil, aqui no Uruguai futebol é coisa séria. Movimenta multidões, movimenta paixões e, obviamente, também movimenta muito dinheiro.

A história do futebol uruguaio é de larga data e com momentos emblemáticos. Peñarol e Nacional, os dois grandes clubes, foram ambos fundados ainda no século XIX - 1891 e 1899, respectivamente.
 A seleção nacional do Uruguai foi a primeira campeã mundial, em campeonato realizado no próprio país em 1930. Antes disso já havia ganho outros torneios, como as olimpíadas de 1924 em Paris e de 1928 em Amsterdã. Somando à vitória no Brasil em 1950, alguns uruguaios mais entusiasmados se dizem tetra campeões mundiais...


Aliás, por aqui o 'Maracanazo' de 1950 é um tema a parte. Assim ficou conhecida a vitoria contra a seleção brasileira na final do campeonato mundial em pleno estádio Maracanã. Seria a primeira copa para o Brasil...seria no maior estádio do mundo, recém construído para ser palco dessa façanha...seria na presença de mais de 100 mil brasileiros...seria...


Nada se compara a decepção dos brasileiros. Nada se compara a alegria (e por que não dizer, surpresa...) dos uruguaios.

Os pés de Alcides Ghiggia, autor do segundo gol uruguaio (a partida terminou  2X1) estão imortalizadas no parque Batlle, que fica ao lado do estádio Centenário. Na placa se pode ler:  "Alcides E. Ghiggia - 16 de julio 1950 - el gol mas importante de la historia del fútbol mundial".



terça-feira, 5 de março de 2013

O passado sempre presente


Segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013, Plaza Libertad, Montevidéu, 18h.

Diversas bandeiras se levantam numa manifestação popular contra as últimas ações da Suprema Corte de Justica uruguaia.

Tema: desaparecimentos, assassinatos e torturas cometidos por agentes do Estado durante o período ditatorial (1973-1985).

Ocorre que na última semana o órgão superior do poder judiciário declarou inconstitucionais dois artígos da lei interpretativa da Lei de Caducidade.

Explico: em 1986 foi aprovado no Uruguai uma lei que ficou conhecida como Lei da Caducidade (similar a lei do 'Punto Final' argentina ou Lei da Anistia brasileira). Sob pretexto de facilitar a redemocratização do país, tornava 'caducos' ou prescritos os crimes de violação dos direitos humanos cometidos no período anterior.
Em 1988 a Suprema Corte confirmou a validade da Lei de Caducidade. Porém em 2009 declarou sua inconstitucionalidade. Nesse vai-e-vem jurídico e político foi possível julgar e condenar diversos criminosos, inclusive ocupantes de altos cargos no governo, como dois presidentes da república.




No mesmo momento que 'reviveu' a Lei de Caducidade, a Suprema Corte uruguaia transferiu a juiza Mariana Mota, responsável por 50 casos de atentados contra os direitos humanos. Com o novo pronunciamento do judiciário, esses casos podem ser encerrados. Segundo os manifestantes, transferência suspeita e não explicada...

Os manifestantes que estiveram em frente ao prédio da justiça defendem a ideia de que os crimes cometidos contra a população não são crimes comuns, são de lesa humanidade e não prescrevem nunca. O que está em jogo nesse momento se refere às próprias bases da sociedade: o direito à memória, à verdade e à justiça.




Vai um link com um pronunciamento de importantes intelectuais uruguaios - entre eles Eduardo Galeano:

http://diariolarepublica.net/intelectuales-exigen-el-fin-de-la-impunidad/